Nós somos ensinados a viver sob o signo da moderação e não apenas ditados pelas propagandas de cerveja – as únicas sugestões de parcimônia que eu tenho certeza que não sigo.
A técnica do controle ferrenho de nossos sentimentos vem sendo propagada por gerações nos mais diversos sistemas de medição. É preciso manter o equilíbrio, o balanço. Não é adequado explodir de alegria, ou afundar em depressão. Como medir exatamente o quanto sentir? Ou mais importante: Por que devemos mensurar o que sentimos?
Nessa nova etiqueta dos sentimentos, talvez o amor sofra mais com essas medidas eternamente cambiantes. Hoje em dia, as pessoas usam de tudo para definir quando realmente estão amando. O número de dias transcorridos, os grandes gestos presenciados... Tudo vira variáveis para definir quando o amor começa, e depois as pessoas começam a temer amar de menos.
Hoje em dia, 525.600 minutos ou estações de amor parecem um exagero. Ninguém pode ser pego na gafe de sentir demais ou de menos. É como se os sentimentos agora viessem com suas tabelas nutricionais e nós vivêssemos em constante dieta – nada de ultrapassar suas 1.500 calorias, mocinho!
Contra todo o meu bom julgamento, quebrei minha alimentação restrita e me refestelei em quatro dias de sentimentos dos mais diversos e sem moderação. Um início incrível com data de expiração: a fonte produtora de tais sensações voltaria para casa em dois dias – em outro estado, distante quilometricamente e financeiramente.
Agora os dados estão prestes a dar a sentença e uma pergunta – ou duas, como geralmente sempre acontece – emerge do lance: Quando confrontados com nossos excessos sentimentais, devemos apenas fechar a geladeira e retornar ao nosso regime? Ou achar novas formas de aprimorar nosso metabolismo?